Encerrando o ciclo de entrevistas com pessoas de destaque no mercado, conversamos com Ana Neves, consultora de renome internacional que preside o júri do Prêmio Intranet Portal.
Para iniciar o nosso bate-papo, gostaria que você contasse um pouco mais sobre a sua atuação.
Eu sou proprietária e consultora numa empresa portuguesa chamada knowman (http://www.knowman.pt) através da qual ajudo organizações a pensar a sua estratégia de gestão de conhecimento, a avaliar o seu estado actual e a considerar de que forma a tecnologia pode suportar as restantes iniciativas. Também sou consultora sênior na Headshift, uma empresa britânica com presença em vários pontos do globo e que se concentra na utilização de ferramentas sociais para ajudar as organizações com a gestão de conhecimento, comunicação interna, marketing, criação de serviços e produtos, etc..
Anteriormente trabalhei numa agência do Ministério da Saúde britânico onde, na equipe de gestão de conhecimento, ajudei, entre outras coisas, a definir a intranet corporativa.
Tenho tido muitas oportunidades de realizar workshops e fazer apresentações em Inglaterra, Portugal e, mais recentemente, no Brasil, onde vou tomando conhecimento de iniciativas bastante interessantes da utilização de intranets e portais corporativos.
O que você achou da criação do Prêmio Intranet Portal?
Uma excelente iniciativa. Prêmios como este são uma excelente forma de reconhecer o trabalho de organizações que tiveram a capacidade de identificar desafios e transformá-los em oportunidades através de uma combinação eficaz de processos e tecnologia.
Também é uma forma extraordinária de alertar outras organizações para o potencial destas abordagens, bem como de dar idéias que as possa ajudar a dar o primeiro passo ou a direcionar o seu trabalho atual.
Com sua experiência internacional, o que representa uma premiação como o Prêmio Intranet Portal?
Quando se fala em gestão de conhecimento, e se pensa nas organizações que melhor têm investido nessa área, pensamos, por exemplo, no Prêmio MAKE. O Prêmio Intranet Portal caminha para construir referências assim, o que significa um reconhecimento pelo trabalho realizado, mas também uma ótima oportunidade de divulgar a organização e mostrar a forma como abraça a tecnologia para melhorar a qualidade do seu trabalho e otimizar o desempenho dos seus colaboradores.
É também uma excelente forma de reconhecer a intervenção, o esforço, o carisma e o sentido de visão das pessoas diretamente responsáveis pela concretização do projeto. O reconhecimento individualizado de colaboradores ainda não é uma prática corrente nas organizações: permitir que o seu trabalho seja avaliado e reconhecido externamente é uma forma simples de os desafiar, motivar e recompensar.
Na sua visão, o mercado realmente está mais maduro para trabalhar com intranets e portais corporativos como ferramentas fundamentais de negócio?
Não sei se o mercado está mais maduro já que ainda há uma forte inclinação para as abordagens totalmente centradas na tecnologia. E esse é um dos principais motivos pelos quais algumas das iniciativas não têm o sucesso esperado. O Prêmio Intranet Portal procura apontar claramente que se trata de uma solução multidisciplinar, onde a tecnologia é um dos elementos (mas não é o mais importante, nem o único).
No entanto, reconheço que há muito mais interesse por parte das organizações. Estas apercebem-se do papel fundamental da informação e do conhecimento e começam a olhar intranets e portais corporativos como instrumentos de suporte às suas estratégias de gestão de conhecimento e informação.
Quais são as perspectivas de aprendizado que este Prêmio pode gerar para o mercado? O que isso pode impactar no dia-a-dia das empresas?
Ver como outras organizações olharam os seus desafios, definiram as suas estratégias, pensaram as suas atividades e concretizaram os seus projectos de intranet ou portal corporativo, é uma óptima forma de gerar idéias.
É importante destacar que as abordagens que têm sucesso numa organização não podem ser transplantadas mecanicamente para outra. Tudo é diferente: a cultura, a linguagem, os desafios, a estratégia, etc.. Assim, é vital que as organizações olhem para os premiados como inspiração e não como modelo a seguir.
Para finalizar, gostaria que você contasse um pouco mais aos nossos usuários sobre o momento atual do mercado europeu, em relação a intranets, portais corporativos e gestão de conhecimento. E, também, que tendências você vislumbra.
Do que me é dado perceber, o mercado continua a ser dominado por ferramentas que são vendidas e compradas como soluções milagrosas para todos os problemas organizacionais relacionados com a informação e o conhecimento. Assim, muitas empresas continuam a comprar “caixas” como se fossem a resposta para todos os seus problemas.
Ora as coisas não funcionam bem assim.
- Muitas das “caixas” não se conseguem moldar à organização que as compra e, apesar de as ferramentas tecnológicas poderem ser usadas para criar novos hábitos de trabalho, não podem pedir uma mudança radical – os colaboradores não as vão adoptar.
- As “caixas”, por muito boas que sejam, são apenas uma pequena parte da solução, que passa por repensar processos, atentar aos aspectos humanos da organização e rever a restante infra-estrutura da organização (o espaço de escritórios, por exemplo).
- As “caixas”, quando devidamente moldadas, podem até dar resposta aos problemas de hoje mas são geralmente muito pouco flexíveis o que significa que as organizações se vêem limitadas e não se conseguem aperceber da forma como a dinâmica organizacional está a mudar ou a precisar de mudar.
Aquilo que se começa a assistir cada vez mais na Europa é a utilização de ferramentas sociais não só como facilitadoras de contacto, socialização e troca de conhecimento entre colaboradores, mas também como plataformas tecnológica para as suas intranets e portais.
Organizações como a Allen & Overy ou a BP, por exemplo, estão a utilizar plataformas de wiki para facilitar o acesso ao conhecimento e oferecer a flexibilidade necessária para suportar a evolução das respectivas organizações.



